domingo, 24 de maio de 2009

Cocaína na gestação

O uso experimental de cocaína pela mãe nas primeiras semanas de gestação (3 a 4 semanas) pode ocasionar algum risco para o bebê? E, se o pai foi usuário pode ele causar prejuízo ao filho?

O uso continuado de cocaína durante a gravidez implica vários prejuízos tanto para a gestante quanto para o feto. Os mais comuns: parto prematuro, aborto espontâneo, ruptura prematura das membranas, placenta prévia, gravidez ectópica, hipertensão gestacional, retardo mental, anomalias congênitas (malformações cardíacas e geniturinárias) e acidentes cérebro vasculares (1,3). No entanto, o caso relatado foi de uso único (denominado de uso agudo) durante esse período. Poucos efeitos do uso agudo de cocaína durante a gravidez têm sido relatados. Em estudos com modelos animais verificou-se que o uso de cocaína, associado ou não com o consumo de álcool, durante a gestação não influenciou a mortalidade pré-natal e peso dos fetos (8). Já em estudos com mulheres, o uso agudo de cocaína durante a gestação acarretou em desordens obstétricas e aumento da atividade contrátil do endométrio (4,7). Ainda, o uso único de cocaína no primeiro trimestre de gestação pode provocar alterações neurocomportamentais relacionadas a comportamentos motores, estado de controle e orientação, prejuízo na atenção e aprendizagem (5). Mesmo uma única exposição de cocaína durante o período fetal (a partir da 9ª semana de gestação) pode produzir infarto (insuficiência de suprimento sanguíneo arterial ou venoso), edema e necrose (morte) tecidual provocando dano ao feto por prejuízo de seu suprimento sangüíneo (2).
Quanto ao uso de cocaína por homens, os efeitos do uso prolongado estão relacionados a disfunções sexuais (impotência, incapacidade de ejaculação e diminuição do desejo sexual), mas não foram encontradas evidências de prejuízo a seus filhos (3,6).

Referências Bibliográficas:
1. Briggs G. G., Freeman R. K., Yaffe S. J. Drugs ins Pregnancy and Lactation. 7ed. Lippincott Williams & Wilkins. Philadelphia USA, 2005.
2. Ellenhorn M. Ellenhorn’s medical toxicology: diagnosis and treatment of human poisoning. 2 ed. Williams & Wilkins. 1997.
3. Figlie NB, Bordin S, Laranjeira R. Aconselhamento em dependência química. Editora Roca. São Paulo, 2004.
4. Guerot E, Sanchez O, Diehl JL, Fagon JY. Acute complications in cocaine users. Ann Med Interne (Paris). 2002 May;153(3 Suppl):1S27-31.
5. Kronbauer AL, Marcon AS, Silva APD, Mauri M, Barbosa MP, Rhoden CR. Uso de cocaína na gravidez: análise dos riscos obstétricos, fetais e neonatais. Revista AMRIGS 39 (3): 162-7. 1995.
6. Leite MC, Andrade AG. Cocaína e Crack: dos fundamentos ao tratamento. Editora Artes Médicas. Porto Alegre, 1999.
7. Monga M, Weisbrodt NW, Andres RL, Sanborn BM. The acute effect of cocaine exposure on pregnant human myometrial contractile activity. Am J Obstet Gynecol. 1993 Oct; 169(4):782-5.
8. Salo AL, Carrie L. Randall CL, Becker HC, Patrick KS. Acute gestational cocaine exposure alone or in combination with low-dose ethanol does not influence prenatal mortality or fetal weight in mice. Neurotoxicology and Teratology, V 17, Issue 5, Pages 577-581, 1995.

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